O post anterior é um perfeito exemplo do que reclama Julio Borges, no seu artigo de domingo no Estadão. Segundo ele: "Blogueiros intercalam o diário pueril com reflexões pseudofilosóficas".
Gostaria de salientar que concordo plenamente com ele, e que esse é um campo de livre, mas livre mesmo, expressão, onde tudo cabe, e nada precisa dizer.
Ontém a noite assisti dois filmes em seqüência, Big Fish e Dicionário de Cama. O segundo filme, com excessão dos seios de Jessica Alba, é bem fraquinho. Uma histórinha de amor proibido ambientada em uma mata tropical asiática, que tem como pano de fundo a hipocrisia do colonizador inglês. Como uma boa novelinha global, o casal - ela uma nativa e ele um jovem aristocrata inglês - se apaixonam depois de um estranhamento inicial; logo são separados violentamente; e correm risco de vida para ficarem juntos; quando finalmente abandonam seus mundos para viverem em paz no meio da selva.
A "desromantização" é inevitável. Porém, a pelicula (pq ainda não tenho DVD) fez me lembrar dos primeiros meses - até o primeiro ano - de meu namoro, quando ficar algumas horas sem ela era sufocante e, mesmo assim, seus pais seqüestraram-na para um lugar bem mais distante. Naquela época, eu trabalhava de turno (seis dias direto e dois de descanso), estudava engenharia à noite durante semana. "Vê-la" ficou quase impossível, pois, só tinha folga de final de semana a cada 45 dias. Ficar tanto tempo sem tê-la em meus braços, era doloroso e impossível. Como conseqüência, minha presença na Faculdade tornou-se mínima; toda folga -terça, quarta ... qualquer dia - corria para Americana. Sempre fui um romântico "shakespeariano", como eu mesmo me classifico. O amor era algo intenso, inevitável, e imprevisível, tudo largaria por ela, morreria por ela.
Mas, não houve nenhuma grande tragédia;o tempo passou, "a rotina engolia metade do caminho", e eu não soube como reagir, não me ensinaram ou mostraram o que acontecia quando tudo permanecia na paz. Assim, muitas vezes errei, escorreguei; e, mesmo depois de 5 anos, não aprendi a fugir da rotina e da angustia pela necessidade do novo.
No meu horóscopo de domingo estava escrito:
Quando os assuntos cotidianos começarem a enlouquecer, em vez de você tentar manter tudo dentro
da mais absoluta normalidade, siga aonda do universo e enlouqueça um pouco você também, mas com idéias sublimes, e não abjetas.
Profundo, né? Aqui entra o filme Big Fish e algumas idéias noturnas inventadas, talvez, pela insônia. O longa metragem narra as histórias de um americano de classe média que mistura em sua memória aventuras fantasiosas e realidade, dando uma bela maquiada na rotina. Deitado na cama, tento recuperar algumas imagens da minha infância, que, analisadas, carregam algumas mentiras. A realidade por si só machuca - decepciona. Lembro-me de Nietzsche. Para ele, Sócrates acabou com a filosofia quando racionalizou o pensamento dos gregos. Antes, os mitos tinham seu papel fundamental na explicação do mundo. Agora, o homem passa a ser a medida de todas as coisas. Mas o "Além-Homem" se erguera depois do meio-dia, depois da luz, da iluminação - do iuminismo, da razão. Esse homem superior terá a fome de leão e uma força criadora que o impulsiona, não um fraco observador racional da vida.
Volto a pensar no horóscopo. Talvez uma atitude sublime seja criar uma nova realidade... Mas o virtual já existe, e continuo não me encaixando.
Um pouco de utilidade pública
Dois sites disponibilizam livros e contos de autores estrangeiros e nacionais gratuitamente. Algumas traduções são excelentes, como Os Trabalhadores do Mar de Vitor Hugo traduzido por Machado de Assis. São eles:
virtualbooks.terra.com.br e www.alfredo-braga.pro.br/biblioteca/biblioteca.htm
Os dois links estarão também aí do lado, abaixo dos blogs.
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